sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A COMPLEXIDADE DA AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM


Francisca Priscila Xavier Lima
Wildson Gonçalves¹

INTRODUÇÃO


A partir da análise do texto “O surgimento da criança na criança”, de Paule Aimard, pretende-se analisar as etapas da Aquisição da Linguagem nas crianças, enfatizando a complexidade que é esta aquisição e todo o processo que os bebês passam para adquiri-la. Discutir e fazer comparações, trazendo para a realidade através de uma entrevista, as características adotadas por Paule Aimard a respeito da Aquisição da Linguagem nas crianças, desde seus primeiros balbucios.

1ª PARTE


Para adquirir a linguagem completamente, é muito importante a presença de algumas características fundamentais para a aquisição da linguagem, a saber: atenção, sentimentos, motricidade, percepções. É impossível que a linguagem seja compreendida sem esses caracteres, pois é a partir destes que as crianças começam a tentativa complexa de pronunciar as primeiras palavras. Mas onde determinar o momento certo do início da linguagem? Todos, certamente, possuem sua resposta. É difícil, porém não admitir dúvidas. Sinceramente, ninguém sabe ao certo que norma de avaliação e escolha deve ser adotada quando a criança começa a balbuciar, quando diz as primeiras, quando produz uma frase, por exemplo.
Comumente há momentos de interação adulto-criança relacionados à comunicação. Qualquer indivíduo pode vivenciar tais momentos comunicativos com seus próprios filhos. São nessas oportunidades que podemos compreender o essencial do início da linguagem. Durante um diálogo com um adulto, o pai ou a mãe, em termos gerais, por exemplo, a criança (bebê) observa os movimentos da boca, o sobe e desce dos lábios do adulto, e fica impressionada com esses gestos. A criança, por natureza, é bastante curiosa e devido a esse desejo de conhecer, experimentar algo novo, mesmo quando inconscientemente, ela procura imitar aquelas movimentações bucais

¹ UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ – UVA Centro de Letras e Artes; Curso: Letras Português; Disciplina: Aquisição da Linguagem; Professor: Vicente Martins; 3º Período
juntamente com os sons emitidos pela boca dos adultos. Movimenta até exageradamente.
No período de algumas semanas, a criança (bebê) tem uma progressão seqüencial, pois participa cada vez mais ativamente das trocas, o vocabulário sonoro que ela produz se enriquece, em outras ocasiões emite pequenos sinais de pedido, buscando a atenção do adulto, passando a ser desta maneira, a iniciadora da comunicação. Esse é apenas o início da árdua tarefa, que é adquirir a linguagem.
Quando fazemos questionamentos sobre a linguagem, vem à nossa mente, obrigatoriamente, o desenvolvimento da criança em outros aspectos, comparando, por exemplo, o nível de atividades/aquisições motoras. É impossível ter conhecimento de que o ensinamento a uma criança é baseado naquilo que ela própria já construiu: enriquecemos e melhoramos sua linguagem, mas isso não se faz logo no início. Existe uma evolução. Em cada criança há continuação e uma coisa depende da outra: as várias peculiaridades da língua aparecem ao mesmo instante. Todo evolui ao mesmo tempo, ou seja, não existe um tempo para as palavras e outro para os sons.
Com três anos de idade a criança concebe praticamente toda a linguagem corrente. É o período das perguntas. A criança recebe palavras, produz sons e ruídos, mas só passa a ter sentido em seu contexto, com a sustentabilidade de todos os elementos não-verbais ou pré-verbais da comunicação. Isso ocorre em todas as sequências de interação com o bebê. Deste modo, partimos dos primeiros meses e no decorrer do primeiro ano, a criança adquire competências interativas e balbucia.
No início das produções vocais, através do balbucio, os bebês emitem gritos. Eles ocorrem devido à s sinais de chamado ou quando não estão confortados. Esses gritos são amenizados conforme a utilização da voz da criança de uma maneira diferente. No começo, pequenas produções vocais são expressas um pouco ocasionalmente. Acontece, então, a variação da forma sonora de acordo com o bebê estiver deitado ou não de costas, vocalizar ao inspirar ou expirar. Então ocorre, depois dos movimentos causais, a imitação. Como já foi dito anteriormente, o bebê observa atenciosamente a boca adulta e resolve imitar, mas as vezes não produz nenhum som. Isso se faz porque não é suficiente o movimento labial para falar. Exige uma sincronia de movimentos complexos que, paulatinamente, passará a dominar.
É normal, nas diferentes línguas estudadas, os primeiros sons do balbucio: A primeira vogal é o “a”, seguida de “e”, “i” e “u”; as consoantes nasais “m” e “n” seguem as anteriores “p” e “b”.
Há também evolução no balbucio. De início, a criança escuta o som que emite e assim é criado um vínculo permanente, durável, entre a forma acústica produzida e a motricidade que ela realiza ao articular tal forma. Durante os cinco ou seis meses, é de gosto da criança repetir sons que produzia logo antes. De modo que se exercitando, a criança reforça a associação “forma acústica – forma motora” É saber que tal prática varia de uma criança para outra. Algumas gostam de treinar mais que outras. Existem casos em que o bebê ouve assiduamente as conversas dos adultos ao seu redor. Tais produções contêm somente o repertório fonético da língua e servem como modelo (Heteroimitação).
O bilingüismo possui certas vantagens. Com ele a criança desenvolve um repertório fonético mais amplo. A criança falará essas línguas sem sotaques, mesmo com o conhecimento das dificuldades de um adulto ou de uma criança em idade escolar que tais noções serão, conseqüentemente, objeto de uma aprendizagem.
É necessário compreender que o balbucio, é mais além que imitação. O bebê se deleita com os sons. Estes se tornam objetos de brincadeira para a criança. Ela se habitava, alegremente. O mais importante, porém, é saber o grande valor do diálogo. Na intimidade se encontra essa importância.
Existem curiosidades estudadas em relação ao balbucio. Que favorece o balbucio: durante três meses ou quatro meses, se o bebê balbucia muito nota-se geralmente, que em mãe conversadeira, mas não se tem o conhecimento de em que sentido ocorrerá a interpretação desse treinamento. Pode-se entender como exemplos, que o bebê balbuciando mais induz o adulto a falar com ele; ou a mãe que lhe dirige mais palavras leva a criança a responder, dentre outros. Em torno dos dez meses, a criança começa a gostar de brincar com s repetições de silabas, juntando dois fonemas como “papapa”, “bababa”, “dadada”. Isso é denominado reprodução silábica. É a partir destas que surgirão as primeiras palavras.
Ao final do primeiro ano, o bebê já produz um balbucio muito rico; imita algumas entoações do adulto (ordens breves, voz irritada, etc); usa gestos essenciais para dizer algo, como: até logo, obrigado ou até mesmo para se entender com brincadeiras. Assim com jargões, gestos, ajudados pelos adultos, o bebê pronuncia as verdadeiras conversas (por volta dos doze ou quinze meses).
No segundo ano há a continuidade: a imitação, o gosto de conversar, os exercícios, as repetições silábicas, sendo que, desta maneira, o poder de compreensão é estimulado mais e mais, aumentando o seu entendimento. Em torno do fim do segundo ano, a junção de duas ou mais palavras são comemoradas como “primeiras frases”. Resumindo o léxico, as frases.
As primeiras palavras, quase sempre, são “mamãe” e “papai”, não havendo nada para se surpreender com isso, pois em termos gerais, o “a” é a primeira vogal pronunciada, e o “p” e o “m” fazem parte do grupo das primeiras consoantes. Portanto, o bebê duplica as sílabas: “papapa”. Em uma determinada situação, essas formas sonoras mudam de padrão: Ele diz “papai” ao ver seu pai chegar ou ao descobrir algum objeto relacionado ao seu pai. Indubitavelmente, trata-se de uma palavra. A utilização dessas duas primeiras palavras permanece resumida durante bastante tempo. Além da utilização como palavra, o bebê produz frequentemenete o bebê produz “mama” ou “maman” nas horas de impaciência, de irritação e até mesmo de raiva. Podemos incluir também essas produções flutuantes quando ele está muito mimoso. Existem analogias em varais línguas entre os sons da palavra “mamãe” e o repertório sonoro que acompanha a alimentação. Dando como exemplo, para alguns bebês “mama” quer dizer mamãe e, não obstante, pode significar também a mamadeira!
Poderão ocorrer casos em que o bebê chamará o seu pai de “mamãe” ou vive-versa. Isto deve-se ao fato de que no decorrer de um certo tempo, existir uma indecisão, perplexidade , na utilização dessas duas primeiras palavras.
Tais palavras são tão esperadas, exigidas, nas quais tanto se investe que assumem uma representação especial nas produções das crianças. Portanto, será de grande surpresa se a primeira palavra não for nem “papai” nem “mamãe”. Certamente será uma palavra simples que se refere à vida cotidiana da criança, mas tal “primeira palavra” não podemos prover. Na grande maioria das vezes se apresenta com uma maneira tão simplificada que quase não se pode ser reconhecida. Provavelmente, as pessoas que não tem afinidade com uma determinada criança, não notam suas primeiras palavras. E preciso conviver com essa criança para que compreendamos o modo sonoro produzido por ela e aquilo que pretende representar.
O adulto desempenha diversos papeis nas aquisições das palavras nas crianças. Logo de início ele é o provedor de modelos. É percebido que a criança repete, geralmente, o fim das palavras que os adultos pronunciam, ou o finalzinho das frases com um eco. Essa parte d aquisição recebe o nome de ecolalia, e mostra ótimo resultado, pois, ao repetir, a criança memoriza a forma das palavras e passa a adquirir o costume de usá-las. Porém isso não é sinônimo de que ela esteja dizendo essa palavra, mas com isso ela está se preparando , armazenando, treinando.
Só para salientar, a criança, constrói sua língua a partir das formas orais que escuta; ela adquire pedaços de discursos, isto é, nada lhe indica a imitação das palavras. Frases simples significam mais do que uma palavra. As palavras convencionais, como “papai”, “obrigado”, assumem uma realidade importante para a criança. Tais frases, reduzidas gramaticalmente a alguma coisa vaga e pouco estruturada, são expressivas e funcionais durantes as trocas verbais da criança e das pessoas que a cercam. Sintetizando: uma criança de dois anos diz pelo menos dez palavras, além de “papai” e “mamãe”, e entende um número mais amplo, produzindo breves enunciados cujos podemos observar o esboço das primeiras frases. Ela toma a iniciativa de fazer comentários, de expressar certos sentimentos, falando com prazer.
As crianças pronunciam poucas consoantes, principalmente a letra “r” que simplesmente, às vezes, é ignorada. Os encontros consonantais praticamente não aparecem. Apesar de, geralmente, todas as vogais serem pronunciadas, não obrigatoriamente são pronunciadas de maneira muito fixa e, às vezes, em algumas palavras não pronunciam nitidamente.
As crianças não tem a capacidade de produzir discursos longos, isto é, quatro ou cinco sílabas ou um pouco mais. Elas sintetizam muito, engolem o final das palavras. São limitadas. É preciso um pregresso na produção da palavra. Essa progressão varia de criança para criança. Às vezes nos surpreendemos quando uma criança de apenas três anos fala “com m adulto”, enquanto outras de quatro ou cinco anos possui apenas um jargão antiquado.
É interessante estar o par de que as vozes dos animais estão ligadas ao primeiro repertório de todas as crianças, e em, alguns casos, essas vozes são empregadas utilmente como nomes de animais. Por exemplo: o “au-au” para os cachorros, o “me-me” para os carneiros e últimas onomatopéias relacionadas aos animais. A aquisição da linguagem é tão complicada que muitas vezes a criança generaliza e passa a chamar algum animal semelhante ao cachorro de “au–au”.
É muito complexo também para a criança a ordem por categorias. Tomando como exemplo: ela não consegue colocar bananas e maçãs na mesma categoria de frutas. Mas aos vinte meses as primeiras categorias léxicas já se apresentam na criança. E consequentemente, aparecerão os primeiros termos de espaço.
Os enunciados das crianças nem sempre são reduzidos ou sintetizados dos enunciados dos adultos, segundo alguns lingüistas a ordem das palavras nem sempre é a mesma das frases dos adultos. Ela parece ser totalmente aleatória nos primeiros enunciados de duas palavras, que geralmente são interpretadas como simples justaposições. Já outros lingüistas quiseram criar uma tipologia para esses primeiros enunciados. Eles propõem uma classificação sintática, tentando marcar verbo, sujeito etc, ou ainda uma tipologia baseadas nas relações semânticas que unem as duas palavras.
A aquisição da linguagem é adquirida, ou seja, ocorre fundamentalmente por meio da interação com os adultos, principalmente os pais, mas é preciso saber que as crianças podem interagir também com outras crianças e, desta forma, adquirir o conhecimento da outra. O certo é que é importante a presença do banho de linguagem, que Paule Aimard explica:
“Os pais ou os adultos que substituem as crianças, aqueles que vivem cotidianamente com ela são os primeiros responsáveis pelo banho de linguagem do bebê e depois da criança mais velha, em quantidade, qualidade e diversidade. Por isso muitos pesquisadores se interessam pelo estudo da linguagem com a qual os adultos se dirigem as crianças: o registro do adulto falando coma criança”²

Ressaltando, entretanto, não podemos dizer que apenas os adultos são os fornecedores de linguagem, pois a criança como já foi dito, aprendem entre si. Contudo, não há dúvidas de que os adultos de que os adultos são os principais provedores de linguagem.
Paule Aimard se expressa também sobre as estratégias da criança:
“Suponhamos que uma criança esteja em um banho de linguagem positiva, com adultos linguisticamnete suficientes. Como poderá extrair modelos d linguagem que escuta, para que, a partir deles possa construir sua língua? De forma mágica essa linguagem exterior a ela tornar-se-á, progressivamente, parte de suas próprias competências?”³
Existem as estratégias de escrita de escuta, estratégias de compreensão, estratégias de imitação e estratégias de produção.
Na lógica da língua, os acontecimentos se dão como se a crianças compreendesse com intuição alguns processos de funcionamento da língua e estivesse tomando posse deles. Em outras palavras, no instante em que ela entende que este ou aquele prefixo ou sufixo alteram regularmente o sentido de uma palavra, passará a usar este procedimento para construir as palavras as palavras que necessita. Como procedimento mais simples da criança de palavras está à derivação. A criança de forma intuitiva, também tenta motivar a forma de algumas palavras, como uma garantia de coerência do sistema.
Algo interessante é a permissão que a língua nos dá para brincadeiras de várias formas.
As crianças, às vezes, constroem um léxico muito especializado. Todos possuem alguns aspectos comuns, como os termos referentes ao tempo, a brincadeiras, nomes de pessoas e de animais etc. Tais domínios dependem muito dos costumes educacionais, nas normas de cortesia, da forma estrutural familiar. Há casos em que é exigido algum tempo para nos sentirmos a vontade com o conjunto de nomes de pessoas e suas ligações.
Ainda que estejamos nos referindo a linguagem oral, claramente que por escrito também encontraremos esses equívocos, essas percepções errôneas. A escrita apresenta várias outras dificuldades. Portanto, a língua é adquirida como conseqüência normal da progressão de amadurecimento da criança.

2ª PARTE
Ao observar as proposições expostas na primeira parte deste artigo, ficou bem explanado as etapas que as crianças se submetem para atingir com êxito a aquisição da linguagem. Desde o nascimento dos bebês, qualquer movimento que este venha a manifestar com a boca, (emitindo sons) é considerado um indício de linguagem. As conversas e o contato entre os pais e os bebês é de fundamental importância para que não haja um atraso na aquisição da linguagem dos bebês.
De acordo com Paule Aimard, existem os referenciais motores, que é a faixa etária da criança de acordo com o seu desenvolvimento linguageiro. Porém o que Aimard afirma nem sempre condiz com a realidade, pois em alguns casos pode ocorrer um atraso ou adiantamento no que diz respeito à aquisição da linguagem.
“10 meses: desloca-se engatinhando ou arrastando-se. Vira-se quando deitado. Fica de pé no “chiqueirinho”. Faz movimentos para caminhar .” (Paule Aimard, 1998, p. 56)
Aos dez meses algumas crianças já caminham (comecei a caminhar com 8 meses), mas como Paule Aimard reforçou: “Cada criança progride conforme o seu próprio ritmo.”(Paule Aimard, 1998, p.57).
Foram feitas pesquisas com uma criança para que esta fosse comparada com as características de Paule Aimard a respeito das etapas da aquisição da linguagem. Assim, ficou nitidamente visível que a aquisição varia de criança para criança. Então, houve a realização de uma entrevista com a mãe de uma criança de 2 anos e 8 meses (32 meses).

A ENTREVISTA
MÃE: RITA ERIDAN XAVIER SILVA – 30 ANOS
PAI: JOSÉ GLEIVER OLIVEIRA DE MORAIS – 30 ANOS
CRIANÇA: CÁSSIA MANUELE SILVA DE MORAIS – 2 ANOS E 8 MESES
CIDADE: SENADOR SÁ.

1- Quais foram as primeiras palavras das crianças observadas pelos pais, principalmente as mães.
“A primeira palavra que a Cássia falou foi “Papai”, e foi mais ou menos com sete meses”
(Mãe da criança)
Como a senhora Rita Eridan respondeu, sua filha balbuciou as primeiras palavras aos 7 meses, o que aponta uma discordância quando comparamos com as características adotadas por Paule Aimard. Porém quanto à primeira palavra ser “papai”, como já foi abordado na primeira parte do artigo, é comum pela facilidade da criança pronunciar primeiro os fonemas surdos /p/ e /b/. Observe:
“Durante o primeiro ano:
- Com oito ou dez meses aparece a duplicação das sílabas: “bababa””(Paule Aimard, 1998. p.58).

2- Quais as primeiras frases ditas pela criança?
“A primeira frase que a Cássia falou, foi: “Mamãe, deixa eu ir pra casa da vó? E ela tinha 1 ano e meio.”
(Mãe da criança)
Como pode ser observado, há um adiantamento na estruturação das frases ditas pela criança entrevistada, isso comparando com as etapas discorridas por Paule Aimard:
“Durante o segundo ano:

- por volta dos dois anos: reunião de duas ou três palavras – as primeiras frases”.(Paule Aimard, 1998, p. 58).
No caso da Cássia, aconteceu a formação da primeira frase com 1 ano e meio e foi uma frase relativamente complexa. Porém com as suas irregularidades ao pronunciar a frase, isso de acordo com a mãe da criança. Na realidade ela teria pronunciado assim: “Mamãe dexa eu i pá cassa da vó?”.

3- Quais as primeiras perguntas das crianças?
“Assim , eu lembro que a Cássia perguntava muito: Mãe, por quê isso? Mãe, aonde? Mãe, pra quê? E isso aconteceu quando ela tinha mais ou menos 2 anos e 3 meses”.
(Mãe da criança)
Mais uma vez percebe-se um adiantamento na Aquisição da Linguagem da Cássia, pois de acordo com Paule Aimard, a explosão de perguntas acontece aos 3 anos e com a criança entrevistada ocorreu aos 2 anos e 3 meses.

4- O que as mães relatam sobre as palavras que mais geram dificuldades (hesitações e falhas) nas crianças pequenas?
Bom, a Cássia tem mais dificuldade em pronunciar as sílabas complexas. Ela diz assim: “banco”, ao invés de “branco”. E também troca o “c” pelo “t”, como quando vai falar: “cadê minha mãe”, ela diz: “tadê minha mãe”.
(Mãe da criança)
A dificuldade de pronunciar da criança entrevistada condiz com as afirmações de Paule Aimard, pois praticamente todas as crianças tem dificuldades de pronunciar as sílabas complexas.
Um exemplo abordado por Paule Aimard sobre a pronuncia das sílabas complexas esclarece: “Juliete diz com som imperativo: “Kys cá!”“, como o adulto diz: “Venha cá Klys” (18 meses). (Paule Aimard, 1998. p. 64)

5- Quais as estratégias dos pais, especialmente as mães para que seus filhos aprendam novas palavras?
“Eu tento corrigir ela quando ela fala algumas palavras incorretas, mas faço isso sem reprimi-la. Tipo quando ela fala: “Vó ta ali o seu fivolé”, querendo dizer “gigolé”. Então eu repito a palavra com ênfase a palvra: “Tá ali o gigolé, né Cássia?”Frisando o /g/. Assim ela repete a palavras junto comigo de forma correta, além de aprender a pronunciar a palavra correta.”
(Mãe da entrevistada)
O método adotado pela senhora Rita Eridan, é o correto, pois não se pode reprimir a criança quando ela “erra”. É importante fazer com que a criança perceba que a sua pronuncia não está correta.
Paule Aimard, afirmou:
“Nessas aquisições, o adulto desempenha diversos papeis. Em primeiro lugar é o provedor de modelos. Todos já percebemos que frequentemente a criança repete o fim da nossa frase, ou as últimas palavras como se fosse um eco”4
Ou seja, o adulto desempenha um papel fundamental na Aquisição da Linguagem da criança.

NOTAS
² Paule Aimard, O surgimento da criança na criança. (1998, p. 92)
³ Idem: (1998, p. 97)
4. Idem: (1998, p.64)


REFERÊNCIAS
Aimard, Paule. O surgimento da criança na criança. Porto Alegre: Artmed, 1998. [capítulo 02, p. 55 a 103].

Francisca Priscila Xavier Lima e Wildson Gonçalves são alunas do Professor Vicente Martins, no Curso de Letras da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), em Sobral
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